Engie observa mineração e sistema de armazenamento de bitcoin em uma enorme nova usina solar no Brasil

REUTERS

RIO DE JANEIRO, 23 de fevereiro (Reuters) — A Engie (ENGIE.PA) está avaliando instalar sistemas de armazenamento ou data centers de mineração de bitcoin em sua nova usina solar no Brasil para tornar o empreendimento mais rentável, disse o executivo local da companhia francesa.

A adoção desses sistemas reduziria os cortes de geração que estão prejudicando a viabilidade econômica do Assu Sol, o maior projeto solar da empresa no mundo, afirmou Eduardo Sattamini, diretor da Engie no Brasil.

“Estamos analisando possíveis offtakers”, disse ele a jornalistas em teleconferência na semana passada.

Localizado no Nordeste do Brasil, o Assu tem 895 MWp de capacidade instalada e iniciou operação comercial plena neste mês. No entanto, a produção tem sido reduzida por cortes aplicados para equilibrar o sistema elétrico brasileiro, afirmou Sattamini, sem detalhar quanto da produção foi afetada.

Curtailment — quando a geração de eletricidade a partir de fontes renováveis precisa ser reduzida porque a rede não consegue absorver toda a energia — tornou-se um problema relevante para usinas solares e eólicas no Brasil desde 2023, causando perdas bilionárias às empresas do setor.

O aumento da energia “desperdiçada” ocorre após um crescimento acelerado de novas usinas renováveis, combinado com fraca expansão da demanda, limitações de infraestrutura e rápida expansão da geração distribuída, especialmente solar em telhados.

Opções estão sendo consideradas para criar demanda local e administrar a situação no Assu Sol, como data centers para mineração de bitcoin ou sistemas de armazenamento, disse Sattamini, acrescentando que isso não será uma solução de curto prazo.

“Isso não acontecerá no próximo mês. Levará alguns anos para implementarmos”, afirmou.

Reportagem de Leticia Fucuchima em São Paulo e Fabio Teixeira no Rio de Janeiro; edição de Susan Fenton

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