FRANKFURT, 16 de fevereiro (Reuters) — Três dos principais acionistas da Siemens Energy disseram que a empresa deve priorizar a recuperação de sua divisão deficitária de turbinas eólicas antes de considerar uma cisão, em resposta aos apelos de um investidor ativista que pressiona por uma separação.
Os comentários refletem apoio à estratégia da empresa de primeiro estabilizar o negócio e só então analisar possíveis opções estratégicas.
O investidor ativista norte-americano Ananym Capital revelou em dezembro uma participação na Siemens Energy, defendendo um spin-off do negócio eólico Siemens Gamesa, afirmando que ele poderia valer US$ 10 bilhões.
A administração do grupo disse que a ideia tem mérito, mas quer reestruturar o negócio e busca atingir o ponto de equilíbrio neste ano, após um prejuízo de 1,36 bilhão de euros (US$ 1,61 bilhão) em 2025.
PREÇO ELEVADO DAS AÇÕES DA SIEMENS ENERGY DÁ SUPORTE À GESTÃO
Espera-se que os acionistas debatam o futuro da Siemens Gamesa na assembleia geral anual do grupo em 26 de fevereiro.
Tobias Klaholz, gestor de fundos da DWS (DWSG.DE), que, segundo dados da LSEG, detém 1,84% da Siemens Energy, afirmou que cumprir a prioridade de curto prazo de estabilizar a unidade e melhorar significativamente a rentabilidade é crucial.
“Portanto, parece cedo demais para um possível spin-off. No médio prazo, porém, uma análise da Siemens Gamesa definitivamente faz sentido”, disse ele.
Ingo Speich, da Deka Investment, que detém cerca de 0,88% da fabricante alemã de equipamentos de energia, também disse que o foco deve estar na reestruturação da Siemens Gamesa.
“No entanto, se surgirem novos encargos significativos, isso pode mudar rapidamente. Então, o futuro da divisão eólica teria que ser reconsiderado de forma mais ampla”, afirmou.
Charlie Penner, cofundador da Ananym, também disse que a Siemens Gamesa precisaria ser fortalecida antes de poder ser desmembrada.
“À medida que esse dia se aproxima e a Gamesa se aproxima da lucratividade, o conselho deve estar preparado para agir de forma decisiva”, disse ele em comentários por e-mail.
Os acionistas afirmaram que o desempenho das ações da Siemens Energy, impulsionado pela demanda por infraestrutura para alimentar tecnologia de inteligência artificial, ofereceu algum respaldo à gestão diante dos problemas contínuos da Siemens Gamesa.
A gestora de fundos da Union Investment, Maria Mihaylova, disse que a Siemens Gamesa era uma “parte importante da história de recuperação da Siemens Energy” e que não havia necessidade de um spin-off.
(US$ 1 = 0,8430 euro)
Reportagem de Christoph Steitz; edição de Joe Bavier e Barbara Lewis
