Lula diz que Maduro deveria ser julgado na Venezuela, não no exterior

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BRASÍLIA, 20 de fevereiro (Reuters) — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na sexta-feira que o deposto presidente venezuelano Nicolás Maduro deveria ser julgado em seu próprio país, e não no exterior.

Maduro foi capturado em Caracas por forças dos Estados Unidos no início deste ano e levado para Nova York, onde é acusado de supervisionar uma rede de tráfico de cocaína com cartéis internacionais de drogas.

“O que importa agora é restabelecer a democracia na Venezuela, isso é o mais importante. E eu acredito que se Maduro tiver que ser julgado, ele tem que ser julgado em seu país, não no exterior”, disse Lula em entrevista à India Today TV durante sua visita ao cume de IA do país.

O Brasil não pode aceitar a captura de um chefe de Estado por outro, acrescentou ele, de acordo com uma tradução para o inglês fornecida pela emissora indiana.

CONVERSAS COM TRUMP

Lula afirmou que cidadãos brasileiros acusados de crimes e vivendo nos Estados Unidos deveriam ser julgados no Brasil, dizendo que pretende apresentar uma proposta por escrito sobre a questão ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Lula também disse que quer negociar questões relacionadas ao crime organizado, ao tráfico de drogas e aos minerais de terras raras com Trump, que ele disse provavelmente encontrar em Washington no próximo mês.

O Brasil, que faz fronteira com a Venezuela ao sul, é um ator diplomático influente na América do Sul.

As relações de Lula com Trump melhoraram desde o ano passado, quando o líder dos EUA impôs tarifas sobre produtos brasileiros pelo tratamento do Brasil ao ex-presidente de direita Jair Bolsonaro, que foi preso por planejar um golpe após perder a eleição de 2022.

RELAÇÕES COMERCIAIS

O Brasil precisa diversificar seus laços comerciais e reduzir a dependência de grandes potências como Estados Unidos e China, acrescentou Lula, argumentando que as economias emergentes devem fortalecer seus próprios relacionamentos comerciais.

“Precisamos chegar a US$ 30-40 bilhões de comércio (com a Índia) por causa do tamanho de nossos países e da economia”, disse ele.

Lula acrescentou que havia defendido que o Brasil e a Índia façam comércio em suas próprias moedas, em vez de liquidar transações em dólares americanos.

“Não é uma fantasia, não é algo que se possa fazer da noite para o dia, mas é algo que temos que começar a pensar”, disse ele, pedindo mais discussões e coordenação.

O presidente brasileiro refutou a especulação de que o grupo BRICS de países, do qual Brasil e Índia fazem parte, planeja criar uma moeda comum. “Não há debate dentro dos BRICS sobre criar uma nova moeda, a moeda dos BRICS”, disse ele.

Trump afirmou no ano passado que o grupo BRICS foi criado para prejudicar os Estados Unidos e o papel do dólar americano como a moeda de reserva mundial, ameaçando impor tarifas mais altas sobre importações do grupo para frear esse suposto esforço.

Reportagem de Lisandra Paraguassu em Brasília; Reportagem adicional e texto de Isabel Teles em São Paulo; Edição de Philippa Fletcher e David Holmes.

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