Manifestantes indígenas ocupam o terminal portuário de Santarem, no Brasil da Cargill,

REUTERS

RIO DE JANEIRO, 21 de fevereiro (Reuters) – Manifestantes indígenas ocuparam o terminal portuário da Cargill em Santarém, no estado do Pará, e “interromperam completamente” as operações no local, informou a comerciante de grãos dos EUA em comunicado no sábado.

Os manifestantes forçaram funcionários da Cargill a evacuar o terminal privado na noite de sexta-feira, disse a empresa, acrescentando que está em contato com as autoridades locais para que a desocupação seja realizada “de forma ordenada e segura”.

A Cargill enviou mais de 5,5 milhões de toneladas métricas de soja e milho por Santarém no ano passado, segundo dados do setor portuário. O volume exportado, originado principalmente da região Centro-Oeste do Brasil, representou mais de 70% do volume total de grãos movimentados em Santarém.

A Cargill afirmou que há “fortes evidências de vandalismo e danos a bens” no terminal.

A ocupação marca uma escalada entre os manifestantes e a empresa em relação aos planos propostos para dragar rios locais, como o Tapajós, onde grãos como soja e milho são transportados antes de chegarem aos mercados de exportação.

A Cargill afirmou que não tem controle sobre os planos de dragagem dos rios.

Os manifestantes vinham bloqueando o acesso de caminhões ao terminal desde 22 de janeiro, com impacto limitado nas operações da Cargill, já que a maioria dos grãos chega por barcaça antes de ser transportada para navios para exportação.

Em uma carta após a ocupação, os manifestantes exigiram que o governo brasileiro reconsiderasse um decreto que, segundo eles, abriria os rios da Amazônia para dragagem.

“Rios não são canais de exportação: são fonte de vida, sustento, memória e identidade para milhares de famílias”, dizia a carta, acrescentando que a dragagem impactaria a qualidade da água e a pesca da qual dependem para sobreviver.

O governo brasileiro não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Já havia dito que a dragagem é uma atividade rotineira para garantir o tráfego fluvial durante períodos de baixo nível da água.

Reportagem de Fabio Teixeira; Edição por Kirsten Donovan.

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