19 de fevereiro (Reuters) — Produtores de painéis solares estão intensificando esforços para substituir a prata por alternativas como o cobre após a prata registrar alta de 130% no último ano, comprimindo margens já pressionadas pelo excesso de capacidade de produção, particularmente na China, disseram especialistas do setor.
“A prata é o maior fator de aumento no custo de fabricação de painéis solares”, disse Derek Schnee, consultor sênior de energia solar comercial da JK Renewables, acrescentando que o custo dos painéis solares aumentou de 7% a 15% nos últimos 12 meses.
A pasta de prata, material essencial para painéis fotovoltaicos, representa 30% do custo total das células solares, observaram analistas da Heraeus.
Após uma alta de 147% em 2025, os preços da prata atingiram máxima histórica de US$ 121,64 por onça em janeiro, em meio à oferta física restrita e compras impulsionadas por investidores de varejo, antes de recuarem para US$ 77 por onça.
O setor fotovoltaico responde por 196 milhões de onças troy, ou 17%, da demanda total de prata, que também é impulsionada por joias, eletrônicos e investimento.
“Nos Estados Unidos, os custos de pasta de prata por módulo de 450 watts aumentaram de cerca de US$ 5,22 no início de 2025 para aproximadamente US$ 17,65”, disse Ben Damiani, diretor de tecnologia da empresa de energia renovável Cherry Street Energy.
TRANSIÇÃO PARA O COBRE GANHA FORÇA
Com a prata sendo negociada a US$ 2,5 milhões por tonelada métrica, a migração dos fabricantes solares para alternativas como o cobre está se acelerando, sendo que o cobre foi negociado pela última vez a US$ 12.823 por tonelada.
A LONGi Green Energy Technology Co Ltd (601012.SS), principal fabricante chinesa de painéis solares, disse em janeiro que avançou em tecnologia de redução de custos envolvendo metais básicos e planeja iniciar a produção em massa entre abril e junho.
“Espera-se uma mudança mais ampla no setor neste ano, com fabricantes líderes migrando para metalização totalmente em cobre e pastas híbridas de prata-cobre”, disse Marius Mordal Bakke, vice-presidente de pesquisa da cadeia de suprimentos solar da Rystad Energy.
PREVISÃO DE ECONOMIA DE BILHÕES
Com o cobre sendo negociado a cerca de 0,5% do preço da prata, o potencial de redução adicional de custos com essa substituição é significativo, acrescentou.
Damiani, da Cherry Street Energy, estimou que a mudança da metalização baseada em prata para cobre poderia representar cerca de US$ 15 bilhões por ano em economia para o setor globalmente, considerando 500 gigawatts de produção anual de energia solar.
No entanto, substituir a prata não é simples, devido à sua maior condutividade elétrica em comparação com o cobre, disseram especialistas.
Reportagem de Anushree Mukherjee em Bengaluru; reportagem adicional de Polina Devitt; edição de Pratima Desai e Andrei Khalip
